A evolução dos jogos eletrônicos

Todos nós convivemos com jogos já há bastante tempo, isso é fato.

Os jogos saltaram das telas dos computadores e consoles e invadiram televisores, celulares e outros dispositivos que, há 10 anos atrás, jamais imaginaríamos ser possível.

Bem, vamos agora fazer aqui um “túnel do tempo” e analisar um pouco do que aconteceu com os jogos.

O desenvolvimento de um mercado de jogos só foi realmente possível a partir do início da década de 70, graças à popularização da informática e redução dos preços dos equipamentos. Nascia assim o período áureo das “empresas de garagem”, onde jogos com capacidade gráfica e game design limitados devido às restrições na tecnologia eram desenvolvidos a nível comercial por todo tipo de profissionais, desde doutores em tecnologia a estudantes de colegial: o que valia era o resultado final e como eram poucos os jogos na época, tudo acabava sendo válido!

Com o tempo, essas empresas foram saindo das garagens e criando cada vez mais equipamentos específicos para jogos, os chamados consoles. O Odyssey foi o primeiro console, lançado em 1972. É nessa época também que os arcades, fliperamas e “máquinas de pinball” tornam-se sucesso.

Vemos aqui já melhorias devido à expansão tecnológica.

No início da década de 80 uma crise em todos os ramos da indústria do entretenimento abalou muitas empresas, fechando as portas de várias delas.

Mais tarde o lançamento dos computadores pessoais (PC) trouxe um novo grande abalo à indústria de jogos para consoles, por ser uma ferramenta com preço acessível e capaz de desempenhar várias outras tarefas além de executar jogos.

O tipo de mídia para armazenamento dos jogos mudou, sendo agora gravados em cartuchos ou CD-Roms. Consoles como Master System, Mega Drive e Super Nintendo (conhecido no Japão como Super Famicon) são lembrados ainda hoje por seus jogos.

Enquanto os jogos evoluíam, os acessórios utilizados também foram desenvolvendo-se a fim de propiciar o máximo de conforto e facilitar. Estamos falando de mouses, teclados, telas LCD sensíveis ao toque, joysticks, etc.

Como na guerra e nos jogos vale tudo, registrou-se a saída da Sega do mercado de desenvolvimento de consoles devido a fracassos financeiros de alguns projetos seus, dentre eles, o Dream Cast; hoje a Sega atua somente no desenvolvimento de jogos.

Por que estudar a História dos Jogos Eletrônicos?

Sim. Eu sei que muito provavelmente você não quer ler a respeito do passado dos jogos, afinal, você não quer fazer um jogo com a cara dos jogos dos anos 1970, não é?

Tudo bem, isso é até compreensível, mas… Por que mesmo que estudamos História nas escolas?

Quem estuda História nas escolas aprende muito a respeito das civilizações passadas, sua organização social, suas ideologias. Mas não é somente isso: aprendemos também quais erros levaram a quais conseqüências, bem como quais foram os fatores que levaram àqueles erros.

Da mesma forma, quando você estuda a História dos jogos, você não está somente olhando o “como eles eram no passado”, mas sim, estudando o momento em que eles surgiram para saber o que permitiu determinados avanços. Assim sendo, quem estuda sua evolução pode perceber mais facilmente fatores que possam levar a mudanças na indústria de jogos (surgimento de um novo gênero, uma nova tendência quanto a equipamentos ou características dos jogos, um novo público se formando, etc).

E como profissionais bem formados e informados que somos, não queremos ser guiados por outros para que possamos perceber isso, mas sim, queremos ter bagagem suficiente para que possamos fazer nossas inferências e, assim sendo, buscar nos destacar na indústria.

Sendo assim, é imprescindível um bom estudo a respeito da evolução dos jogos eletrônicos a fim de que possamos “compreender melhor o presente e o futuro a partir da análise do passado”.

Antes de começar a falar realmente sobre nosso assunto, quero comentar que, quem estiver interessado a saber mais a respeito, pode procurar por fontes como os escritos dos pesquisadores Lynn Alves e Ricardo Santos, reportagens do UOL JOGOS e a Wikipedia Inglesa, que foram o ponto de partida deste trabalho.

Além destes, se você estiver particularmente interessado na evolução dos jogos eletrônicos brasileiros, um bom ponto de partida é o GameBrasilis, um catálogo da produção nacional, confeccionado e distribuído pelo Senac-SP. Uma observação: já faz algum tempo que o Senac-SP publicou e distribuiu este catálogo, portanto, pode ser “um pouco muito difícil” conseguir encontrá-lo. Eu já tenho o meu!

Até 1950 – A Era das Sombras

Tudo bem, tudo bem, eu sei. Não foi um período tão ruim assim, mas… Não havia computadores nem vídeo games… Ora, o que eles faziam para se divertir?

Apesar de acharmos que aqui nada temos, podemos encontrar facilmente os antecessores de nossos jogos digitais, como os jogos de tabuleiro, cartas e tantos outros, sendo o mais próximo deles o Pinball.

Xadrez, Damas e Go são apenas alguns dos tantos jogos de tabuleiro que já existiam nesta época e que seriam mais tarde implementados em jogos digitais.

A característica competitiva é uma máxima dos jogos de tabuleiro dessa época, e não falamos somente dos jogos mais recentes, pois mesmo jogos pertencentes a civilizações antigas já possuíam essas características, como é perceptível no jogo Senat, pertencente à civilização egípcia, e o jogo de Ur.

Jogo Senat (à esquerda) e Jogo Real de Ur (à direita)
Jogo Senat (à esquerda) e Jogo Real de Ur (à direita)

Em 1931, David Gottlieb criou o Baffle Ball Machine, considerada a segunda máquina de Pinball, responsável não só pela popularização do mesmo, mas também pelo impulso que viria a dar na indústria de jogos eletrônicos (o Pinball é um dos responsáveis por começar a criar um público receptivo a esse tipo de diversão).

Outro fator responsável pelo surgimento da indústria dos jogos foi a evolução tecnológica capaz de reduzir as dimensões dos computadores (como o advento dos transistores) e melhorar a forma como as informações eram passadas do sistema para o usuário (como a criação de tubos de raios catódicos).

[O conteúdo aqui apresentado é parte do livro “Press Start – Uma Introdução ao Game Design”, que faz parte do nosso curso de Introdução ao Game Design]

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